Saúde

Nutrição Antroposófica: A alimentação como objetivo do homem para a liberdade

 

A palavra Antroposofia tem origem grega e significa sabedoria humana. É uma ciência espiritual apresentada pelo filósofo austríaco, Rudolf Steiner, como um caminho para se trilhar em busca da verdade entre a fé e a ciência. É considerado um método de ampliação do conhecimento da natureza do ser humano e do Universo obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana, tais como medicina, terapias, agricultura biodinâmica e nutrição.

Na Nutrição, a ideia de Antroposofia engloba conceitos como características de personalidade, biografia, história familiar e individualidade criando assim a Nutrição Antroposófica. “Conforme Rudolf Steiner, não comemos para ter em nós determinadas substâncias corpóreas, mas sim para termos as forças que podemos humanizar e vencer a morte. Um alimento não é constituído apenas de elementos químicos materiais, mas de algo vivo, dinâmico e interage com todo o universo que participa de sua criação”, explica Amanda Regina Buonavoglia, nutricionista com amplo conhecimento em Antroposofia.

Nutrir-se e não alimentar-se

Na Nutrição Antroposófica fica clara a diferença entre alimentar-se e nutrir-se. “O processo de alimentação consiste, apenas, em uma escolha de alimentos, enquanto a nutrição é o processo de nutrir o organismo, não somente com calorias ou macronutrientes. Todo o nosso ser está envolvido em cada ingestão de alimento: pensamento, sentimento, vontade, consciência e inconsciência, corpo, alma e espírito”, afirma a nutricionista.

Sendo assim, alguns sentimentos ou atos que, na maioria das vezes, não são considerados em uma dieta devem ser levados em conta por quem escolhe esse tipo de nutrição, para que seus benefícios possam ser sentidos no corpo e na mente. São eles:

Devoção: ser grato por todo o processo de alimentação, desde a plantação até o preparo do alimento. Isso porque existem muitas pessoas envolvidas nesse ciclo, que desprendem suas forças assim como a Natureza desprende a sua própria;

Bondade: a relação com o alimento deve permear o amor, já que cozinhar é um ritual que traz saúde;

Beleza: a apresentação e a harmonia da composição da refeição acentuam esse sentimento interior;

Verdade: o consumo de alimentos vivos, ou seja, de como se apresentam na natureza, atendem a necessidade espiritual desse valor;

Consciência: todo o processo da alimentação deve ter a mesma importância. É essencial mastigar adequadamente e prestar atenção na refeição, sem nenhuma distração, com plena consciência do ato;

Moderação: segundo Rudolf Steiner a moderação “refina os sentimentos, desperta a capacidade, anima a afetividade e fortalece a memória”.

                                                                        

Como seguir uma dieta antroposófica?

Rudolf Steiner diz que: "As pessoas descobriram que muitas moléstias da época moderna devem ser atribuídas ao estilo de vida atual, e se o homem quer tornar-se senhor do seu organismo, deve escolher conscientemente a sua alimentação”.

Por isso, existem diversos conceitos importantes dentro da antroposofia que devem ser levados em conta na hora de seguir uma dieta baseada nesses princípios. Confira alguns deles, destacados pela nutricionista Amanda Regina:

* O processo do cultivo dos alimentos é primordial para a saúde. Devemos escolher alimentos orgânicos e livres de pesticidas. A Biodinâmica, ou seja, a agricultura antroposófica, contempla o solo, as plantas e os animais de acordo com melhores técnicas de cultivo, com adubação realizada por compostos orgânicos, sem o uso de agrotóxicos, hormônios ou inseminação artificial. O fundamento reside em ter consciência em que os processos de alimentação já se iniciam com o processo do solo, o modo de plantar, colher, armazenar, e garantir a sua procedência. “Garantir um alimento sem agrotóxico, com maior vitalidade, menor processo de industrialização, respeito à ecologia e ao consumidor já aumenta consideravelmente a possibilidade de prevenir e tratar doenças, fortalecendo a vitalidade”, enfatiza Amanda.

* Devemos considerar também a importância dos cereais na humanidade. O povo nórdico tem a aveia, o mediterrâneo o trigo, os índios o milho, os orientais o arroz, ou seja, existe uma correlação do cereal com a alma humana. No mundo todo, ele é a base da alimentação. A força do impulso vertical dos cereais tem profunda atuação na postura ereta do homem, que é a expressão do seu EU. Os cereais representam a sabedoria cósmica condensada, traduzida em alimento e energia para auxiliar o desenvolvimento terrestre humano. É fundamental que consideremos o alimento integral, ou íntegro em sua composição. São sete os cereais mais utilizados e representam como em um espelhamento, os sete planetas- que distribuem suas qualidades nos dias da semana:

Domingo           Sol            Equanimidade             Trigo                Ouro            Branco
Segunda            Lua             Vitalidade                  Arroz                Prata            Roxo
Terça                  Marte             Ação                      Cevada              Ferro           Vermelho
Quarta              Mercúrio      Movimento                Painço           Mercúrio        Amarelo
Quinta               Júpiter        Sabedoria                 Centeio           Estanho        Laranja
Sexta                Vênus            Beleza                      Aveia               Cobre            Verde
Sábado           Saturno      Profundidade               Milho             Chumbo          Azul

 

* O ser humano nutre-se de percepções sensoriais, ideias, sentimentos, beleza, ar e alimentos. Os alimentos são parte do que o ser humano precisa ingerir para viver. Na hora de comer não é só o alimento o que nutre, mas também a companhia, o ambiente, o cheiro, o sabor e a afetividade;

* A alimentação deverá sempre levar em consideração idade, atividade, momento da vida, temperamento, estado de saúde, etc;

* A alimentação afeta todos os níveis da organização humana: física, psíquica e espiritual. É um ato livre e não livre ao mesmo tempo. Não é livre no sentido de que precisamos comer certos alimentos e evitar outros. É livre no sentido que a adoção de dieta saudável deve ser vivenciada como libertação e não como imposição. A opressão e a frustração causadas pela adoção de uma dieta correta, em alguns casos, podem ser mais prejudiciais do que o alimento que evitamos;

* O alimento deve trazer luz. Infelizmente nos dias atuais temos uma invasão de alimentos industrializados, que não têm luz. Estes alimentos enfraquecem nossa vontade, aumentando a ansiedade e a angústia;

* A alimentação adequada é necessária à boa saúde, mas é eminentemente um ato de prazer. Em muitos casos precisamos reaprender a apreciar alimentos com os quais nos desacostumamos.

Procure um profissional

A escolha da dieta antroposófica correta para cada pessoa é baseada na percepção do paciente juntamente com o nutricionista.

“É fundamental que o profissional ajude o paciente a trilhar o caminho por escolhas mais responsáveis pela sua alimentação”, finaliza Amanda Regina.

 
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